Como degustar um vinho
O vinho, especialmente se for algum renomado, merece ser degustado aos poucos, ser apreciado. Talvez essa seção deveria ter o título de "Apreciação de Vinho" porque existe muito mais para ser julgado na qualidade de um vinho do que simplesmente prová-lo. Predominante isso envolve aroma, usando o nariz (o termo usado é "prova de nariz"), quando descobrimos o chamado bouquet do vinho .
1. Aparência
Vale a pena dar uma boa olhada no vinho uma vez que sua aparência pode nos passar muita informação. A melhor maneira para se analisar o vinho é colocar a taça contra um fundo branco, evitando assim a mistura de cores. Não precisa ser nada técnico, talvez um prato ou pano branco. Outra dica é usar uma taça transparente, de preferência lisa.
Cor:
A cor do vinho tinto nos dá uma idéia sobre a idade do vinho. Muitos vinhos tintos começam sua vida com uma cor púrpura intensa, com o tempo essa intensidade vai se perdendo e começa a se tornar mais pálida, com uma nuance de vermelho tijolo. Inicialmente essa diferença de cores se faz perceptível apenas na auréola que se forma na taça, mas com o tempo todo o vinho apresenta essa alteração, passando da tonalidade do vermelho tijolo para um tom marrom. A cor do vinho também nos dá uma pista da variedade de uva que foi usada, pois cada variedade produz vinhos de diferente intensidade de cor. Exemplo disso é o Pinot Noir que tende a ser pálido, enquanto que outras uvas tintas, particularmente quando mais jovens, tendem a ser menos claras com uma nuance escura de cor púrpura.
Informação parecida pode ser verificada observando o vinho branco, embora o padrão de alteração de cor de acordo com seu envelhecimento seja diferente daquele apresentado pelo vinho tinto. Um bom exemplo disso é o famoso vinho de sobremesa Sauternes da região de Bordeaux, na França. Esse vinho começa com uma cor cítrica dourada, mas ao invés de ficar mais pálido com a idade, a cor se intensifica e transforma-se em uma intensa cor ambar dourada, que continua mudando gradualmente por décadas. Como acontece com o vinho tinto a cor do vinho branco também nos dá dicas de quais uvas foram usadas e também de sua origem. Vinhos de clima frio tendem a ter menos coloração, como por exempo o Chardonnay da Borgonha que sempre será mais pálido do que um Chardonnay australiano. Algumas uvas tem uma característica de nuance própria, como os Rieslings, sempre caracterizados por seus tons esverdeados.
Pernas (também conhecidas como "lágrimas")
Esse termo usado na degustação de vinhos refere-se às pequenas gotas oleosas que escorrem dentro da taça depois que o vinho é delicadamente agitado. Esse termo era usado frequentemente no passado pois muitos acreditavam que quanto mais oleosas e concentradas mais essas “pernas” refletiam o alto teor alcoólico ou presença de açúcar, ou seja, mais refletiam a qualidade do vinho. Seguindo essa mesma filosofia vinhos menos encorpados ou mais jovens formariam “pernas” menos concentradas, que escorrem pela taça com mais velocidade. Tais afirmações podem ser consideradas verdadeiras até certo ponto, uma vez que muitas vezes elas são desmentidas pelo paladar.
Grânulos ou Perlage
É uma referência quando se fala em espumantes, ao se descrever o tamanho de suas borbolhas. Champagne possui normalmente borbolhas menores quando comparado aos demais espumantes, diferença essa útil para degustações às cegas. Alguns dizem que a qualidade das perlage pode ser determinada ao se trazer a taça perto do ouvido e escutar o som das borbolhas.
2. Aroma
Ao se degustar um vinho é importante liberar seus aromas, por isso agite delicadamente a taça, aumentando sua área de superfície em contato com o ar. O recomendável é que o vinho sejo servido a menos da metade da taça ao invés de se encher a taça inteira. Também certifique-se de que a taça esteja apoiada na mesa, evitando que o líquido seja desperdiçado.
O próximo passo é colocar o nariz dentro da taça e inspirar profundamente, na tentaiva de identificar os aromas presentes. Vinhos jovens apresentarão aromas primários, aqueles derivados da fruta, enquanto que em vinhos mais concentrados encontramos os aromas secundários, aqueles originários fermentação da fruta. Os aromas primários são os responsáveis por descrevermos vinhos com aromas de groselha, framboesa, etc.
Ainda existem os aromas terciários, aqueles resultantes do armazenamento do vinho. Esse grupo é também apelidado de bouquet, ou seja, um vinho jovem terá aromas primários e secundários mas nunca apresentará um bouquet. Algumas pessoas acreditam que o bouquet de um vinho é a melhor parte da experiência da degustação, melhor mesmo do que prová-lo.
3. Prova
Há muito mais a ser descrito sobre um vinho do que apenas seu sabor. Os sabores são geralmente relacionados à identificação dos aromas. No paladar, podemos identificar a presença de algumas substâncias que nos falam sobre a qualidade do vinho, sua idade, quais pratos combinariam melhor com seu sabor, entre outros. Ao analisar um vinho e entender aquilo que se gosta e aquilo que não se gosta você cria a habilidade de escolher bons vinhos.
Quando você prova um vinho é importante perceber que pouco do sabor detectado tem qualquer relação com a língua, muito mais vitais são os quimiorreceptores nasais que são responsáveis pela identificação dos aromas. Os aromas do vinho na boca invadem as vias aéreas superiores e é a resposta desses receptores que usamos para degustar um vinho – razão pela qual é difícil provar alimentos quando você tem um resfriado. Inspirando e expirando durante a degustação ajudará a liberar os aromas presentes. Fique atento à alteração que acontece no sabor durante a degustação. As primeiras impressões podem ser sentidas pelas papilas gustativas que estão dispersas por vários pontos da língua e também por trás da boca. Assim, enquanto na ponta da língua captam-se os sabores doces, na parte de trás captam-se os amargos. Os ácidos e salgados são captados em outros pontos da língua.
A sensação final da degustação vem exatamente quando engolimos o vinho, sendo sempre diferente de quando o vinho primeiro tocou nosso paladar. Os sabores podem permanecer por um tempo, o que faz com que descrevamos o vinho como longo ou curto. Quanto mais longo for o sabor mais você irá apreciá-lo, podemos então dizer que um vinho com um sabor longo é um vinho de qualidade superior.
Finalmente, não esqueça de cuspir! Não é necessário na maioria dos casos, mas em degustações mais longas é importante para você evitar ficar bêbado, prejudicando seu fígado e não conseguindo verdadeiramente degustar todos os vinhos disponíveis. Caso você se sinta constragido em cuspir em público, tenha um recipiente por perto onde você pode discretamente abaixar a cabeça e soltar o líquido, com o tempo você terá mais confiança e desenvolverá algumas técnicas para cuspir. Fique atento para não confundir confiança com embriaguez já que mesmo cuspindo uma pequena quantidade de álcool é absorvida pelas membranas da boca e inevitavelmente ingerida.